Ano 22
20 de janeiro de 2015
Número 1

VERÃO INICIA COM PREDOMÍNIO DE ESTIAGEM EM GRANDE PARTE DO BRASIL
A ausência de episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) durante dezembro de 2014 e janeiro de 2015 resultou na predominância de anomalias negativas de precipitação sobre grande parte das Regiões Norte, Centro-Oeste, sul da Região Nordeste e Sudeste do Brasil. O fenômeno El Niño com fraca intensidade continua atuando no Oceano Pacífico Equatorial.

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Sumário
No decorrer de dezembro 2014 até meados de janeiro de 2015, a presença de uma condição de bloqueio atmosférico nas latitudes médias do Hemisfério Sul inibiu a formação do principal sistema responsável pela qualidade do período chuvoso no setor central do Brasil: a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Somente em algumas áreas do País e na maior parte da Região Sul, os acumulados de precipitação excederam os valores climatológicos para dezembro.

As análises dos campos globais de dezembro até meados de janeiro de 2015 mostram a continuidade do aquecimento das águas superficiais no Pacífico Equatorial (região do Niño 3) e o valor do Índice de Oscilação Sul (IOS) negativo pelo sexto mês consecutivo. Esta configuração indica o acoplamento entre as condições oceânicas e atmosféricas, sugestivo da manutenção de uma fraca condição de El Niño ou mesmo de uma condição de neutralidade na região do Oceano Pacífico Equatorial. No Atlântico Tropical, destacou-se a persistência do padrão de dipolo no campo de anomalias de Temperatura da Superfície do Mar (TSM), Pressão ao Nível do Mar (PNM) e ventos, consistente com a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) ao norte de sua posição climatológica no decorrer deste período.

A previsão climática por consenso para o trimestre fevereiro-março-abril de 2015 (FMA/2015), baseada na análise das condições diagnósticas oceânicas e atmosféricas e de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, indicou maior probabilidade dos totais pluviométricos sazonais ocorrerem na categoria abaixo da faixa normal climatológica no extremo norte da Região Norte, com distribuição de probabilidade de 25%, 35% e 40% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para o semiárido do Nordeste, a previsão por consenso também indicou maior probabilidade das chuvas situarem-se na categoria abaixo da média, com a seguinte distribuição de probabilidades: 20%, 35% e 45% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para o sul da Região Sul, a previsão indica maior probabilidade das chuvas situarem-se na categoria acima da média, com distribuição de probabilidades: 40%, 35% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Ressalta-se a possível continuidade da condição de déficit pluviométrico no decorrer da segunda quinzena de janeiro, em particular sobre as Regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. A previsão por consenso indicou temperaturas variando entre valores normais e acima da normal climatológica principalmente no centro-sul do Brasil e no norte das Regiões Norte e Nordeste.
1- Sistemas Meteorológicos e Ocorrências Significativas no Brasil em Dezembro de 2014
A configuração de uma circulação anticiclônica anômala decorrente da formação de um bloqueio atmosférico inibiu a formação de episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Ainda assim, os acumulados mensais de precipitação foram superiores a 400 mm entre o Mato Grosso, Goiás e o Mato Grosso do Sul, no oeste do Amazonas e no oeste do Rio Grande do Sul. Em algumas localidades destas áreas, choveu entre 100 mm e 200 mm acima da média histórica. Na cidade de Canarana, no leste do Mato Grosso, o acumulado mensal atingiu 481 mm, dos quais 198 mm foram acumulados apenas nos dias 22 e 23. Em São Luiz Gonzaga, no oeste do Rio Grande do Sul, o acumulado mensal atingiu 367 mm, excedendo em 214,5 mm o valor esperado para dezembro (Fonte: INMET). Destacaram-se as chuvas diárias registradas na Região Sul nos dias 21 (São Luiz Gonzaga-RS: 101,1 mm), 22 (Castro-PR: 112,3 mm) e 27 (Santa Maria-RS: 101,1 mm; e Uruguaiana: 98,8 mm), os quais corresponderam a percentuais entre 63% e 71% da climatologia para dezembro. As chuvas foram mais escassas em Roraima e no norte da Região Nordeste. A fraca incursão de sistemas frontais também contribuiu para as anomalias positivas de temperatura mínima, em particular no sudoeste de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e na Região Sul do Brasil.
2- Avaliação das Queimadas em Dezembro de 2014 e Tendência para o trimestre Fevereiro, Março e Abril (FMA)
Dezembro apresentou cerca de 11.000 focos de calor no Brasil, de acordo com detecções feitas pelo satélite AQUA_M-T. Este número correspondeu a uma diminuição de 40% em relação ao mês anterior. Esta redução já era esperada em função do início climatológico das chuvas em boa parte do território nacional. Apesar do aumento maior que 59% do total anual de 2014 em relação a 2013, houve redução de 9% em dezembro em comparação com o mesmo período de 2013. Entretanto, em função da estiagem e das temperaturas elevadas verificadas nas Regiões Nordeste, Sudeste e Norte, houve aumento em Roraima (300%, com 270 focos); Minas Gerais (55%, com 155 focos) e no Amazonas (20%, com 290 focos). As reduções em relação a 2013 foram observadas no Ceará (33%, com 640 focos); no Piauí (25%, com 350 focos); no Maranhão (13%, com 2.400 focos) e no Pará (13%, com 4.800 focos). No restante da América do Sul, destacaram-se os expressivos aumentos na Colômbia (200%, com 750 focos), na Venezuela (200%, com 1500 focos) e na Argentina (45%, com 980 focos).

A tendência para o trimestre FMA/2015, baseada nas ocorrências climatológicas das queimadas e na previsão das anomalias de precipitação indica que as áreas de alto risco de ocorrências de fogo na vegetação podem ocorrer principalmente no norte da América do Sul, com destaque para a Venezuela e Colômbia, além do Paraguai e o norte da Argentina, especialmente nos meses de fevereiro e março. Em fevereiro, poderá ocorrer intensificação das queimadas em Roraima, com tendência de aumento também para todo o trimestre. No Pará, as queimadas tenderão a reduzir no final de fevereiro, enquanto que, no Mato Grosso, Goiás e no Mato Grosso do Sul, as queimadas tendem a apresentar aumento neste trimestre.
Figura 1 - Focos de queimadas detectados em dezembro de 2014, pelo satélite AQUA_M-T.
3- Previsão Climática para o Trimestre Fevereiro, Março e Abril (FMA)  / 2015
As previsões probabilísticas de precipitação e a tendência da temperatura do ar para o período de FMA/2015 são mostradas na tabela abaixo. A Figura 2 ilustra as áreas com previsão de chuva e as respectivas probabilidades em tercis, considerando três categorias (abaixo da normal, normal e acima da normal climatológica).

Região
Previsão
Figura 2 - Previsão probabilística (em tercis) por consenso do total de chuva no período de fevereiro a abril de 2015.
Chuva - maior probabilidade de chuva na categoria abaixo da faixa normal no extremo norte da Região. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - variando de normal a acima da normal climatológica em toda a Região.
Chuva - maior probabilidade de chuva na categoria abaixo da faixa normal no norte da Região. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - variando de normal a acima da normal climatológica em toda a Região.
Chuva - a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.

Temperatura - variando de normal a acima da normal climatológica em toda a Região.
Chuva - a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - variando de normal a acima da normal climatológica em toda a Região.
Chuva - maior probabilidade na categoria acima da normal para o centro-sul da Região.
Temperatura - variando de normal a acima da normal climatológica em toda a Região.