Ano 22
30 de junho de 2015
Número 6

FENÔMENO EL NIÑO INFLUENCIA O REGIME DE CHUVAS SOBRE O BRASIL
O fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), em curso no Pacífico Equatorial, mostra sinais parciais de modulação da precipitação pluviométrica sobre o Brasil, com redução das chuvas sobre o norte das Regiões Norte e Nordeste do Brasil, sem, contudo, ocasionar precipitações abundantes sobre a Região Sul, normalmente a ele associadas.

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Sumário
A intensificação do fenômeno El Niño - Oscilação Sul (ENOS) no Pacífico Equatorial, durante maio, foi constatada pelo aumento das anomalias positivas da temperatura do mar, relaxamento dos ventos alísios e diminuição da pressão ao nível do mar no setor leste deste oceano. Consistente com os padrões canônicos associados à fase quente do fenômeno ENOS, a distribuição pluviométrica sobre o Brasil evidenciou o déficit pluviométrico no norte das Regiões Norte e Nordeste, sem, contudo, observar-se a ocorrência de excesso de chuva na Região Sul.

As análises dos campos oceânicos e atmosféricos globais mostraram que a presença de anomalias persistentes de circulação anticiclônica em altos e baixos níveis na atmosfera, sobre o Atlântico Sudoeste, causou inibição das chuvas na Região Sul no decorrer do trimestre MAM. Já no Atlântico Equatorial, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) passou a atuar ao norte de sua posição climatológica no último mês, acentuando o déficit pluviométrico no norte da Região Nordeste.

A previsão climática por consenso para o trimestre julho-agosto-setembro de 2015 (JAS/2015), baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e nos prognósticos de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, indica maior probabilidade dos totais pluviométricos sazonais ocorrerem na categoria abaixo da faixa normal climatológica para o extremo norte da Região Norte, com distribuição de probabilidades de 20%, 35% e 45% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. No oeste do Amazonas, a previsão indica maior probabilidade de chuva acima da faixa normal climatológica, com probabilidades de 40%, 35% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para o leste da Região Nordeste, que se encontra no término de seu período mais chuvoso, a previsão indica maior probabilidade das chuvas ocorrerem na categoria dentro da faixa normal climatológica, com a segunda categoria mais provável abaixo da média, conforme distribuição de probabilidades: 25%, 40% e 35% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. No sul da Região Sul, a previsão por consenso indica maior probabilidade das chuvas situarem-se acima da faixa normal climatológica, a saber: 45%, 30% e 25% para as categorias acima, dentro abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Ressalta-se, no decorrer do referido trimestre, o ápice do período de estiagem na grande área central do País, com o aumento climatológico do número de queimadas, em particular no Mato Grosso e no Tocantins. A previsão por consenso indica temperaturas variando em torno a acima dos valores normais nas Regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Nas demais áreas do País, as temperaturas podem ocorrer em torno da média histórica. As incursões de massas de ar frio devem se tornar mais frequentes durante o trimestre, podendo causar acentuado declínio das temperaturas e o fenômeno de friagem no sul da Amazônia.
1- Sistemas Meteorológicos e Ocorrências Significativas no Brasil em Maio de 2015
As chuvas ocorreram abaixo da média histórica na maior parte Região Norte e no norte da Região Nordeste. As principais exceções foram o oeste do Amazonas e o nordeste da Bahia, onde os totais pluviométricos mensais excederam a média histórica em mais que 200 mm. Na cidade de Salvador-BA, o total mensal atingiu 634 mm, ficando 274 mm acima da climatologia mensal e com 105 mm ocorridos no período de 24h, no dia 20 (Fonte: INMET). Ressalta-se que a fraca atuação de distúrbios no escoamento de leste, sistemas típicos dos meses de outono, também refletiu na ocorrência de chuvas abaixo da média entre o Rio Grande do norte e o norte de Sergipe. Os sistemas frontais atuaram no início e final do mês, ficando a maior parte de maio sob o efeito de uma circulação anticiclônica anômala sobre o sudoeste do Oceano Atlântico, o que explica, em parte, o déficit pluviométrico no leste de São Paulo e em algumas áreas da Região Sul. Por outro lado, esta mesma circulação favoreceu o aumento das chuvas na faixa litorânea que vai do Rio de Janeiro ao sul de Sergipe. As temperaturas mínimas diárias apresentaram-se acima da climatologia na maior parte do País, com anomalias maiores que 5°C no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
2- Avaliação das Queimadas em Abril de 2015 e Tendência para o trimestre Julho, Agosto e Setembro (JAS)
Neste mês, foram mapeados cerca de 2.400 focos de queimadas no País, de acordo com detecções feitas pelo satélite AQUA_M-T. Este número representou uma diminuição de 6% em comparação com abril passado, o que caracterizou poucas ocorrências para um período de pré-temporada das queimadas. Em relação ao ano anterior, houve redução de 25% neste mês. As maiores reduções ocorreram em São Paulo (65%, com 65 focos); Piauí (55%, 66 focos); Minas Gerais (50%, 114 focos); Rondônia (50%, 13 focos); Mato Grosso (40%, com 540 focos); Goiás (40%, com 130 focos); Paraná (30%, com 77 focos); Bahia (35%,144 focos); Mato Grosso do Sul (15%, com 60 focos); e no Tocantins(15%, com 512 focos). Houve aumento no Maranhão (35%, com 200 focos) e no PA (40%, com 95 focos), influenciado pelas persistentes anomalias negativas de precipitação. No restante da América do Sul, houve aumento de 60% na Venezuela (2.800 focos), de 400% na Argentina (900 focos), de 160% no Chile (400 focos); de 50% na Colômbia (300 focos) e de 130% no Paraguai (253 focos). Também houve redução na Bolívia e Peru.

O trimestre JAS é considerado um dos mais críticos quanto às áreas de alto risco de ocorrências de fogo na vegetação. A tendência, baseada nas ocorrências climatológicas das queimadas e na previsão de anomalias de precipitação, é de que as queimadas fiquem concentradas e ampliadas pela intensificação da estiagem nas Regiões Centro-Oeste, Sudeste, Nordeste e no sul da Amazônia, com aumento principalmente no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul (Pantanal), oeste da Bahia, Pará, Tocantins, Maranhão e São Paulo. Na América do Sul, as queimadas estarão presentes e novamente intensificadas na Argentina, Paraguai e Chile, especialmente a partir de Julho. Na Venezuela, as queimadas estarão em declínio, porém ainda presentes em função do El Niño.
Figura 1 - Focos de queimadas detectados em maio de 2015, pelo satélite AQUA_M-T.
3- Previsão Climática para o Trimestre Julho, Agosto e Setembro (JAS)  / 2015
As previsões probabilísticas de precipitação e a tendência da temperatura do ar para o período de JAS/2015 são mostradas na tabela abaixo. A Figura 2 ilustra as áreas com previsão de chuva e as respectivas probabilidades em tercis, considerando três categorias (abaixo da normal, normal e acima da normal climatológica).

Região
Previsão
Figura 2 - Previsão probabilística (em tercis) por consenso do total de chuva no período de julho a setembro de 2015.
Chuva - maior probabilidade de totais pluviométricos na categoria abaixo da faixa normal climatológica no norte da Região e acima da faixa normal no oeste do Amazonas e Acre. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - em torno da normal climatológica.
Chuva - maior probabilidade de totais pluviométricos na categoria dentro da faixa normal e segunda maior probabilidade abaixo da faixa normal no leste da Região, desde o Rio Grande do Norte ao Recôncavo baiano. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - em torno da normal climatológica.
Chuva - a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.

Temperatura - em torno a acima da normal climatológica.
Chuva - a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - em torno a acima da normal climatológica.
Chuva - maior probabilidade de totais pluviométricos na categoria acima da faixa normal no sul da Região.
Temperatura - em torno a acima da normal climatológica.