Ano 21
30 de setembro de 2014
Número 9

PREVISÃO DO FENÔMENO EL NIÑO COM INTENSIDADE FRACA DURANTE A PRIMAVERA
O Índice de Oscilação Sul (IOS) apresentou valor negativo pelo segundo mês consecutivo e as anomalias positivas de temperatura da superfície do mar voltaram a aumentar no setor oeste do Pacífico Equatorial. O valor negativo do IOS e o aquecimento das águas no Pacífico Equatorial são os principais indicadores da configuração da fase quente do
fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS).

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Sumário
Agosto foi um mês com poucas chuvas na maior parte do Brasil. Os totais pluviométricos excederam a média histórica somente em algumas áreas das Regiões Norte, Nordeste e Sudeste do Brasil, com destaque para os valores acima da média em Alagoas. Por outro lado, houve maior escassez de chuva na Região Sul e nos setores norte e sul da Região Norte.

Os valores da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) continuaram mais elevados do que o normal na faixa equatorial do Oceano Pacífico, porém, com diminuição na intensidade das anomalias nas áreas próximas à costa oeste da América do Sul, desde agosto até meados de setembro de 2014. Do mesmo modo, os ventos ficaram próximos à climatologia nesta região do Oceano Pacífico. Ainda assim, o valor mais negativo do Índice de Oscilação Sul (IOS) e os resultados recentes dos modelos climáticos de previsão da TSM sinalizam o estabelecimento do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), com intensidade fraca. No Oceano Atlântico, os valores da TSM permaneceram mais elevados do que o normal, adjacente à costa sudeste da América do Sul, o que pode contribuir para o aumento das chuvas no sul do Brasil, enquanto que, nas áreas tropicais, a temperatura das águas superficiais encontra-se dentro na normalidade.

A previsão por consenso para o trimestre outubro-novembro-dezembro de 2014 (OND/2014), baseada na análise das condições diagnósticas oceânicas e atmosféricas e dos modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, mantém a maior probabilidade de ocorrência de totais pluviométricos na categoria abaixo da normal para o norte da Região Norte, com distribuição de probabilidades: 20%, 35% e 45% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para o centro-sul da Região Sul, a previsão indicou maior probabilidade das chuvas situarem-se na categoria acima da faixa normal, com distribuição de probabilidades: 40%, 35% e 25%, para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal, respectivamente. Para as demais áreas do Brasil, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias. É importante mencionar que, para a grande área central do Brasil, que inclui as Regiões Sudeste e Centro-Oeste, as análises sugerem o início da estação chuvosa em seu período climatológico, ou seja, as precipitações mais regulares deverão ocorrer a partir da segunda quinzena de outubro. A previsão por consenso ainda indicou temperaturas variando entre valores normais e acima da normal climatológica no Norte e Nordeste do Brasil, enquanto que, para as Regiões Sul e Sudeste e sul da Região Centro-Oeste, a previsão indicou maior probabilidade de temperatura do ar acima da normal climatológica, especialmente as mínimas. Ressaltam-se as incursões de massas de frio que, climatologicamente, ainda podem ocorrer durante a estação da primavera.
1- Sistemas Meteorológicos e Ocorrências Significativas no Brasil em Agosto de 2014
Agosto foi marcado por baixa pluviometria e temperaturas elevadas na maior parte do Brasil. Ocorreram três sistemas frontais durante a primeira quinzena e apenas um sistema no decorrer da segunda quinzena. O déficit pluviométrico foi mais acentuado na Região Sul, no sul das Regiões Sudeste e Centro-Oeste e nos setores norte e sudoeste da Região Norte. Apesar da escassez de chuva, destacaram-se os totais diários registrados em São Gabriel da Cachoeira-AM (59,6 mm), no dia 04, e na cidade de Eirunepé-AM (60,2 mm), no dia 14 (Fonte: INMET). Os acumulados mensais de precipitação ficaram próximos a acima da média histórica em algumas localidades situadas no litoral, agreste e sertão do setor leste da Região Nordeste, conforme registrado nas cidades de Maceió (158,8 mm), Palmeira dos Índios (98,9 mm) e Garanhus-PE (132,6 mm), cujas climatologias mensais são respectivamente: 155,2 mm, 51,9 mm e 66,2 mm. No dia 14, a incursão de uma intensa massa de ar frio declinou as temperaturas mínimas a valores abaixo de 0°C na Região Sul, com destaque para as cidades catarinenses de Lages (-4,3°C) e São Joaquim (-3,4°C) e as cidades gaúchas de Bom Jesus (-4,2°C) e Lagoa Vermelha (-2,1°C), segundo dados do INMET. Ainda assim, tanto as temperaturas mínimas quanto as máximas apresentaram-se acima da climatologia mensal no centro-sul do Brasil. Os valores diários de temperatura máxima atingiram 39°C nas cidades de Pedro Afonso-TO (39,2°C) e Floriano-PI (39°C), no dia 29, e na cidade de Aragarças-GO (39,2°C), no dia 30.
2- Avaliação das Queimadas em Agosto de 2014 e Tendência para o trimestre Outubro, Novembro e Dezembro (OND)
Em agosto, foram mapeados cerca de 43.000 focos nas imagens do satélite AQUA_M-T, em todo o País. Este valor correspondeu a um aumento de 300% em relação ao mês anterior, consistente com a estiagem e o início das queimadas no País. Em relação ao mesmo período de 2013, os focos de calor aumentaram aproximadamente 140%. Destacaram-se os aumentos no Pará (290%, com 8.600 focos), em Rondônia (240%, com 3.000 focos), no Amazonas (200%, com 3.900 focos), em São Paulo (200%, com 1.500 focos), no Maranhão (170%, com 5.600 focos), em Goiás (160%, com 1.300 focos), no Piauí (130%, com 2.300 focos), em Minas Gerais (120%, com 2.000 focos), no Mato Grosso (105%, com 7.200 focos), no Tocantins (70%, com 3.000 focos) e no Acre (60%, com 1.100 focos). Considerando a climatologia de dezesseis anos, as queimadas ficaram acima da média no oeste do Piauí, no centro-sul do Maranhão, no Tocantins e no sudoeste do Pará. Por outro lado, as queimadas ocorreram abaixo da climatologia no sudeste do Pará e em boa parte do Mato Grosso. No restante da América do Sul, as queimadas aumentaram 50%, em média, na Argentina (5.700 focos), na Bolívia (2.600 focos), no Paraguai (2.500 focos) e no Peru (2.500 focos).

A tendência para o trimestre OND/2014, baseada nas ocorrências climatológicas das queimadas e na previsão das anomalias de precipitação, indica que as áreas de alto e crítico risco de ocorrência de fogo na vegetação poderão ser ampliadas principalmente no norte da Região Nordeste, com destaque para o PI, CE, MA e oeste da PB, no nordeste e norte de MG, no norte do PA, além das ocorrências atípicas em Roraima e no norte do Amazonas. No restante da América do Sul, espera-se redução das queimadas, porém ainda há tendência de ocorrências significativas no Peru e na Colômbia, em outubro.
Figura 1 - Focos de queimadas detectados em agosto de 2014, pelo satélite AQUA_M-T.
3- Previsão Climática para o Trimestre Outubro, Novembro e Dezembro (OND)  / 2014
As previsões probabilísticas de precipitação e a tendência da temperatura do ar para o período de OND/2014 são mostradas na tabela abaixo. A Figura 2 ilustra as áreas com previsão de chuva e as respectivas probabilidades em tercis, considerando três categorias (abaixo da normal, normal e acima da normal climatológica).

Região
Previsão
Figura 2 - Previsão probabilística (em tercis) por consenso do total de chuva no período de outubro a dezembro de 2014
Chuva - maior probabilidade de chuvas na classe abaixo da faixa normal no setor norte da Região, desde o norte do Amazonas ao norte do Pará. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - variando entre normal e acima da normal climatológica para toda a Região.
Chuva - a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - variando entre normal e acima da normal climatológica para toda a Região.
Chuva - a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.

Temperatura - variando entre normal e acima da normal climatológica para o norte da Região, que inclui o Mato Grosso e Goiás. Nas demais áreas, as temperaturas podem ficar acima da normal climatológica.
Chuva - a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - acima da normal climatológica para toda a Região.
Chuva - maior probabilidade na categoria acima da faixa normal para o centro-sul da Região.
Temperatura - acima da normal climatológica para toda a Região.