Ano 22
25 de fevereiro de 2015
Número 2

CHUVAS VOLTAM A OCORRER SOBRE O SUDESTE DO BRASIL APÓS ESTIAGEM PROLONGADA
O enfraquecimento do bloqueio atmosférico sobre o setor central da América do Sul contribuiu para o transporte de umidade do sul da Amazônia para a Região Sudeste a partir da final de janeiro de 2015. Com isso, as chuvas tornaram-se mais regulares na grande área central do Brasil. A tendência de manutenção do aquecimento das águas superficiais no oeste do Oceano Pacífico Equatorial, entre outros fatores, é favorável ao estabelecimento da condição de El Niño no decorrer do próximo trimestre.

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Sumário
A ausência de episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) contribuiu para o déficit pluviométrico na maior parte do Brasil, principalmente até o início da segunda quinzena de janeiro de 2015. Somente após o enfraquecimento da condição de bloqueio atmosférico, voltou a chover com maior frequência em várias regiões do País. As temperaturas ocorreram acima da média histórica em toda a Região Sudeste e em parte da Região Centro-Oeste.

Persistiu o aquecimento das águas superficiais no Pacífico Equatorial, em particular nas regiões dos Niños 3 (0,5°C) e 4 (0,9°C), e o valor do Índice de Oscilação Sul (IOS) negativo pelo sétimo mês consecutivo. Todavia, tais condições ainda não configuram o pleno estabelecimento do fenômeno El Niño na faixa tropical do Oceano Pacífico. No Atlântico Tropical, a tendência de configuração de um dipolo no campo de anomalias da Temperatura da Superfície do Mar (TSM), ou seja, águas superficiais anomalamente mais quentes ao sul e mais frias ao norte da linha equatorial, bem como os valores de pressão sobre Terra Nova e Groenlândia podem vir a favorecer a ocorrência de chuvas sobre o Nordeste do Brasil nos meses subsequentes.

A previsão climática por consenso para o trimestre março-abril-maio de 2015 (MAM/2015), baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e nos prognósticos de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, indicou maior probabilidade dos totais pluviométricos sazonais ocorrerem entre as categorias normal a abaixo da faixa normal climatológica desde o Amapá até o norte da Região Nordeste, com distribuição de probabilidade: 25%, 40% e 35% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Atribui-se esta distribuição de probabilidade para o norte da Região Nordeste à tendência de aquecimento das águas superficiais na região do Atlântico Tropical Sul e resfriamento das águas superficiais na região do Atlântico Tropical Norte, durante janeiro e início de fevereiro de 2015. No centro-sul da Região Sul e extremo sul do Mato Grosso do Sul, a previsão indicou maior probabilidade das chuvas situarem-se entre as categorias normal a acima da faixa normal climatológica, com distribuição de probabilidades: 35%, 40% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Ressalta-se o declínio climatológico das chuvas sobre a Região Sudeste do Brasil no decorrer do próximo trimestre. As temperaturas podem variar entre valores normais e acima da normal climatológica principalmente no centro-sul do Brasil e no norte das Regiões Norte e Nordeste.
1- Sistemas Meteorológicos e Ocorrências Significativas no Brasil em Janeiro de 2015
A configuração do bloqueio atmosférico que teve início no final de dezembro de 2014 persistiu até 21 de janeiro deste ano, inibindo a formação de episódios de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). A partir do dia 22 de janeiro, voltou a se estabelecer o canal de umidade entre o sul da Região Norte e o a Região Sudeste do Brasil, porém sem caracterizar um clássico evento de ZCAS. Os maiores acumulados mensais de precipitação ocorreram no Acre, Amazonas, Pará e em algumas áreas da Região Sul. No oeste do Amazonas e no norte do Acre, choveu até 200 mm acima da média histórica. Na cidade de Tarauacá-AC, o acumulado mensal atingiu 535 mm, ou seja, 248,4 mm (ou 87%) acima da climatologia mensal, dos quais 77 mm e 146 mm foram registrados respectivamente nos dias 03 e 31. Na cidade de Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, o acumulado mensal atingiu 335,6 mm, excedendo em 55% o valor esperado para dezembro (Fonte: INMET). Apesar da predominância de anomalias negativas de precipitação na grande área central do Brasil, destacaram-se os totais diários registrados em Poxoréo-MT (95 mm, no dia 04; i.e, 29,7% da climatologia mensal) e em Barbalha, no sul do Ceará (90 mm, no dia 22; i.e, 52,5% da climatologia mensal). Na Região Sul, os maiores acumulados diários de chuva ocorreram nas cidades de Iraí-RS (98,6 mm, no dia 01) e Paranaguá-PR (115,6 mm, no dia 14), sendo os correspondentes valores climatológicos mensais iguais a 172,4 mm e 293,1 mm (Fonte: INMET). Os valores de temperatura máxima excederam a média histórica nas Regiões Nordeste e Sudeste e em parte da Região Centro-Oeste, com destaque para as anomalias positivas, maiores que 4°C, no sudoeste do Mato Grosso do Sul, no norte de São Paulo, no interior de Minas Gerais e no noroeste do Ceará.
2- Avaliação das Queimadas em Janeiro de 2015 
Janeiro apresentou 4.637 focos de calor no Brasil, de acordo com detecções feitas pelo satélite AQUA_M-T2. Este número foi aproximadamente 136% menor que o observado em dezembro passado. Já em comparação com o mesmo período de 2014, houve aumento de aproximadamente 43%. Considerando a climatologia de 17 anos de queimadas, a anomalia positiva foi da ordem de 2.376 focos de calor no Brasil.
Figura 1 - Focos de queimadas detectados em janeiro de 2015, pelo satélite AQUA_M-T.
3- Previsão Climática para o Trimestre Março, Abril e Maio (MAM)  / 2015
As previsões probabilísticas de precipitação e a tendência da temperatura do ar para o período de MAM/2015 são mostradas na tabela abaixo. A Figura 2 ilustra as áreas com previsão de chuva e as respectivas probabilidades em tercis, considerando três categorias (abaixo da normal, normal e acima da normal climatológica).

Região
Previsão
Figura 2 - Previsão probabilística (em tercis) por consenso do total de chuva no período de março a maio de 2015.
Chuva - maior probabilidade de totais pluviométricos no período entre as categorias normal a abaixo da faixa normal no extremo nordeste da Região. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - variando de normal a acima da normal climatológica no norte da Região.
Chuva - maior probabilidade de totais pluviométricos entre as categorias normal a abaixo da faixa normal no norte da Região. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - variando de normal a acima da normal climatológica no norte da Região.
Chuva - a previsão indica igual probabilidade para as três categorias, com exceção do extremo sul do Mato Grosso do Sul, onde a previsão indica totais pluviométricos entre as categorias normal a acima da faixa normal.

Temperatura - variando de normal a acima da normal climatológica no sul da Região.
Chuva - a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - variando de normal a acima da normal climatológica no sul da Região.
Chuva - maior probabilidade de totais pluviométricos entre as categorias normal a acima da faixa normal no centro-sul da Região. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - variando de normal a acima da normal climatológica em toda a Região.