Ano 21
26 de março de 2014
Número 3

MAIOR PROBABILIDADE DE CHUVA NA CATEGORIA ACIMA DA NORMAL PARA O LESTE DA REGIÃO NORDESTE
As águas superficiais mostraram-se mais aquecidas e os ventos de sudeste mais intensos do que a média de longo período
no Atlântico Tropical Sul, podendo contribuir para a ocorrência de pluviometria mais acentuada no leste da Região Nordeste
do Brasil nos meses de outono (abril a junho). No setor leste do Pacífico Equatorial, por sua vez, as águas superficiais continuaram anomalamente resfriadas durante fevereiro passado, concordando com as previsões do
modelo acoplado BESM do INPE.

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Sumário
A ausência de episódios bem configurados da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) durante fevereiro, em parte associada à presença anômala de vórtices ciclônicos na média e alta troposfera, contribuiu para a escassez de chuvas na maior parte das Regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, especialmente durante a primeira quinzena do mês. Por outro lado, os totais pluviométricos situaram-se acima da média histórica em parte das Regiões Norte e Sul do Brasil.

A Temperatura da Superfície do Mar (TSM) passou a valores abaixo da climatologia em uma área do Atlântico Norte, próximo à costa noroeste da África e em torno da climatologia no Atlântico Equatorial. Esta configuração contribuiu para a atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema responsável pela ocorrência de chuvas no norte da Região Nordeste, em torno de sua posição climatológica durante fevereiro.

A previsão por consenso para o trimestre abril a junho de 2014 (AMJ/2014) indicou uma maior probabilidade de ocorrência de totais pluviométricos na categoria acima da normal para o leste da Região Nordeste, desde o Rio Grande do Norte ao nordeste da Bahia, com a seguinte distribuição de probabilidades: 40%, 35% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para uma área que compreende o semiárido do Nordeste (PI, CE, oeste do RN, PB e PE e norte da BA), a previsão por consenso indicou a maior probabilidade de ocorrência de chuvas na categoria normal (45%), a segunda maior probabilidade na categoria acima da faixa normal (35%) e probabilidade de 20% para a categoria abaixo da faixa normal climatológica. Para o norte da Região Norte, desde Roraima ao norte do Pará, a maior probabilidade é de ocorrência de totais pluviométricos na categoria normal, com distribuição de probabilidades igual a 25%, 40% e 35% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal, respectivamente. Ainda para o oeste da Região Norte, a previsão por consenso indicou maior probabilidade de ocorrência de totais pluviométricos dentro da faixa normal, porém com distribuição de probabilidades igual a 30%, 40% e 30% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal, respectivamente. Para o oeste da Região Sul, a maior probabilidade de chuvas foi atribuída à categorial normal (40%), com a segunda maior probabilidade abaixo da faixa normal (35%) e probabilidade de 25% dos totais pluviométricos situarem-se acima da faixa considerada normal. Para as demais áreas do Brasil, atribuiu-se distribuição equiprovável de probabilidades para as três categorias. No decorrer do trimestre AMJ/2014, a previsão por consenso indicou temperaturas próximas à normal climatológica para todo o País. Ressalta-se, porém, a ocorrência de uma grande variabilidade temporal das temperaturas no sul do Brasil, ou seja, períodos anomalamente mais quentes alternados com períodos mais frios no decorrer deste trimestre.
1- Sistemas Meteorológicos e Ocorrências Significativas no Brasil em Fevereiro de 2014
No decorrer da primeira quinzena de fevereiro, as chuvas muito acima da média no norte da Bolívia também contribuíram para o aumento dos níveis dos rios no sudoeste da Amazônia. Já durante a segunda quinzena, ocorreu aumento da convecção em grande parte da Região Centro-Oeste, com predominância de anomalias positivas de precipitação principalmente no centro-sul do Mato Grosso, no norte do Mato Grosso do Sul e no oeste de Goiás. A condição de bloqueio atmosférico sobre o Pacífico Sul, ainda presente neste último mês, favoreceu o excesso de chuva no sul da Região Sul, com destaque para os 432 mm acumulados em Torres-RS, dos quais 408 mm ocorreram em apenas cinco dias, sendo que 256,9 mm foram registrados no dia 14 (Fonte: INMET). Considerando os acumulados diários de precipitação nos setores central e norte do País, destacaram-se os valores registrados nas cidades de São Vicente-MT (102,1 mm, no dia 04), Conceição do Araguaia-PA (163,2 mm, no dia 14), Itaituba-PA (116,3 mm, no dia 15), Canarana-MT (102,6 mm, no dia 17) e Barbalha-CE (101,2 mm, no dia 17), conforme dados do INMET. As temperaturas mínimas apresentaram-se próximas às climatológicas na maior parte do País. Já as temperaturas máximas excederam a climatologia principalmente nas Regiões Sul e Sudeste. Segundo dados das estações convencionais do INMET, as máximas atingiram 40,2°C em Indaial-SC (dia 08) e 39,4°C nas cidades de Santa Maria-RS (dias 07 e 09) e São Luiz Gonzaga-RS (dias 09 e 11). No aeroporto do Galeão-RJ e na capital carioca, a temperatura máxima atingiu respectivamente 39,9°C e 38°C no dia 27. Na estação do Mirante de Santana, na capital paulista, a temperatura média mensal para este mês ficou em torno dos 31°C, sendo a climatologia mensal igual a 28°C (Fonte: INMET).
2- Avaliação das Queimadas em Fevereiro de 2014 e Tendência para o trimestre Abril, Maio e Junho (AMJ)
Neste mês, foram detectados cerca de 1.550 focos de calor em todo o Brasil, segundo detecções feitas a partir de imagens do satélite AQUA_M-T. Este valor correspondeu a 60% do valor observado em janeiro passado. Esta diferença foi associada à redução climatológica das queimadas em todo o País. Por outro lado, o número de queimadas detectado esteve próximo ao valor observado no mesmo período de 2013. Ainda em relação ao ano passado, destacou-se aumento das queimadas no Rio de Janeiro (850%, com 116 focos), em Roraima (300%, com 226 focos), no Mato Grosso do Sul (40%, com 160 focos) e em Minas Gerais (10%, com 160 focos), onde houve acentuada anomalia negativa de precipitação. No Mato Grosso, houve redução de 40%, com 200 focos. Considerando a climatologia de dezesseis anos, houve aumento não significativo em Roraima e em parte do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia. Nos demais países da América do Sul, destacou-se o aumento de 40% na Colômbia (4.430 focos). Na Venezuela, Paraguai e Argentina, houve anomalia positiva das queimadas e também foram mais intensas, apesar da redução em torno de 10% verificada neste mês de fevereiro.

Durante o trimestre AMJ/2014, as áreas de alto risco de ocorrências de fogo na vegetação serão ampliadas e estarão concentradas em quantidade significativa no Mato Grosso, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Goiás, Bahia e em São Paulo, especialmente no mês de maio e junho. Também são esperadas ocorrências no centro norte da Venezuela, Colômbia, no sul do Paraguai e norte da Argentina, porém com tendência de redução em relação aos meses anteriores.
Figura 1 - Focos de queimadas detectados em fevereiro de 2014, pelo satélite AQUA_M-T.
3- Previsão Climática para o Trimestre Abril, Maio e Junho (AMJ)  / 2014
As previsões probabilísticas de precipitação e a tendência da temperatura do ar para o período de AMJ/2014 são mostradas na tabela abaixo. A Figura 2 ilustra as áreas com previsão de chuva e as respectivas probabilidades em tercis, considerando três categorias (abaixo da normal, normal e acima da normal climatológica).
Região
Previsão
Figura 2 - Previsão probabilística (em tercis) por consenso do total de chuva no período de abril a junho de 2014
Chuva - entre as categorias normal e abaixo da faixa normal desde o leste de Roraima até o norte do Pará. No oeste do Amazonas e no Acre, a previsão é de chuva dentro da categoria normal. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - em torno da normal climatológica.
Chuva - maior probabilidade para a categoria em torno da faixa normal sobre o centro-norte do PI, CE, oeste do RN, PB, PE e norte da BA, com a segunda maior probabilidade das chuvas ocorrerem acima da faixa normal. Previsão de chuvas na categoria acima da faixa normal entre o Rio Grande do Norte e o nordeste da Bahia. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - em torno da normal climatológica.
Chuva - a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.

Temperatura - em torno da normal climatológica.
Chuva - a previsão indica igual probabilidade para as três categorias
Temperatura - em torno da normal climatológica.
Chuva - maior probabilidade na categoria normal para o oeste da Região, com a segunda maior probabilidade das chuvas ocorrerem na abaixo da faixa normal. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - em torno da normal climatológica.