Ano 23
19 de dezembro de 2016
Número 12

FENÔMENO LA NIÑA COM FRACA INTENSIDADE NA PORÇÃO OESTE DO PACÍFICO EQUATORIAL
Os modelos numéricos de previsão sazonal de anomalias de TSM sinalizam o término do resfriamento das águas superficiais do Pacífico Equatorial entre o final do verão e início do outono de 2017. Por outro lado, nas áreas tropicais do Atlântico Norte, a persistência de anomalias de TSM positivas, aliada aos ventos alísios mais fracos que o normal, favorece a manutenção do déficit pluviométrico em parte das Regiões Norte e Nordeste do Brasil para os próximos meses.

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Sumário
A evolução de uma fraca condição de La Niña ainda pode ser notada na porção oeste do Pacífico Equatorial, onde a convecção permanece acima da média na região da Indonésia. Porém, na porção central e leste deste oceano, a pequena magnitude das anomalias de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) e o enfraquecimento dos ventos alísios sugerem a manutenção de uma condição de neutralidade em relação ao fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS). No Atlântico Tropical Norte, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) posicionou-se sobre a região de águas anomalamente aquecidas, em torno de sua climatologia para este período do ano.

Durante novembro até meados de dezembro corrente, destacou-se o predomínio de chuvas abaixo da média histórica, principalmente nas Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e em parte da Região Sudeste, como resultado da ausência de episódios bem configurados de Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), típicos deste período do ano. No entanto, houve a formação de regiões de convergência de umidade que contribuíram para a ocorrência de extremos de precipitação em algumas áreas no leste de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.

A previsão climática por consenso para o trimestre janeiro-fevereiro-março de 2017 (JFM/2017), baseada na análise diagnóstica das condições oceânicas e atmosféricas globais e nos prognósticos de modelos dinâmicos e estatísticos de previsão climática sazonal, indica maior probabilidade do total trimestral de chuva ocorrer na categoria dentro da normal climatológica para o norte da Região Norte, com a segunda maior probabilidade abaixo da faixa normal climatológica, com a seguinte distribuição: 25%, 40% e 35% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Para o norte da Região Nordeste, a maioria dos indicadores climáticos globais e dos modelos indicou maior probabilidade das chuvas se situarem na categoria abaixo da faixa normal climatológica, com distribuição de probabilidade: 20%, 35% e 45% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. Na Região Sul, a despeito da grande incerteza no tocante à previsão climática sazonal para o trimestre JFM/2017, em função, principalmente, das previsões de estabelecimento de uma fraca condição de La Niña, a previsão por consenso indicou a faixa normal como a mais provável, com a seguinte distribuição de probabilidade: 30%, 45% e 25% para as categorias acima, dentro e abaixo da faixa normal climatológica, respectivamente. As demais áreas do País (área cinza do mapa) apresentam baixa previsibilidade climática sazonal. A previsão de temperatura do ar para o trimestre JFM/2017 é de normal a acima da normal climatológica no centro-norte e nordeste do Brasil. No centro-sul do País, as temperaturas podem ocorrer em torno da normal climatológica, porém com alta variabilidade espacial.
1- Sistemas Meteorológicos e Ocorrências Significativas no Brasil em Novembro de 2016
Durante novembro de 2016, destacou-se a predominância de déficit pluviométrico nas Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil. Por outro lado, a passagem de quatro sistemas frontais e a formação de regiões de convergência de umidade contribuiu para os acentuados volumes de chuva em várias cidades do leste da Região Sudeste. Na cidade de Resende-RJ, o maior total de chuva foi registrado no dia 04 (141 mm), com o acumulado mensal chegando 443 mm, i.e. 149% acima da climatologia para novembro (Fonte: INMET). No dia 13, destacaram-se os totais diários registrados nas cidades de Petrópolis (144,7 mm), Magé (145,8 mm) e Nova Friburgo (120,5 mm), contribuindo para que os acumulados mensais atingissem 657,9 mm, 473,2 mm e 495 mm, respectivamente (Fonte: estações automáticas do CEMADEN). No período de 16 a 20 de novembro, houve o estabelecimento de um fraco episódio de ZCAS, o primeiro da temporada 2016/2017, porém de curta duração e ao norte da posição climatológica. No dia 19, os totais diários de precipitação excederam 90 mm nas cidades de Carlos Chagas-MG (139,6 mm), Água Doce do Norte-ES (109,4 mm) e São Domingos do Norte-ES (95,6 mm), segundo dados das estações automáticas do CEMADEN. Estes extremos de precipitação causaram transtornos à população do leste de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. De modo geral, as temperaturas máximas e mínimas apresentaram-se acima da média histórica na maior parte da Região Nordeste e próximas à media na Região Sul do Brasil.
2- Avaliação das Queimadas em Novembro de 2016 e Tendência para o trimestre Janeiro, Fevereiro e Março (JFM)
Neste mês, foram detectadas cerca de 20.200 ocorrências de focos de queimadas em todo o País, segundo imagens do sensor MODIS do satélite NASA-AQUA. Este valor foi 33% inferior a outubro passado, sendo esta redução climatologicamente esperada, em decorrência do início da estação chuvosa sobre a grande área central do Brasil. No trimestre SON/2016, as ocorrências de focos de incêndio também ficaram abaixo da média em parte das Regiões Centro-Oeste (MT), Norte (RO, PA, AM, TO e MT) e Nordeste (MA e BA). Em comparação com novembro do ano anterior, que foi mais seco e quente no norte da Amazônia e no setor norte da Região Nordeste, a diminuição foi de 26%. Entretanto, ainda em comparação com 2015, houve aumento expressivo no Ceará (30%, com 1.330 focos) e no Piauí (25%, com 1.130 focos). As diminuições importantes foram observadas em Minas Gerais (91%, com 127 focos), Bahia (76%, com 400 focos), Roraima (75%, com 71 focos), Goiás (71%, com 124 focos), no Acre (60%, com 46 focos), Rondônia (60%, com 400 focos), Mato Grosso (55%, com 920 focos), Amazonas (40%, com 600 focos), Tocantins (21%, com 630 focos), Pará (18%, com 7.900 focos), Amapá (10%, com 1.160 focos) e Maranhão (10%, com 4.000 focos).

Climatologicamente, JFM é considerado um trimestre de poucas ocorrências de queimadas no País, em função do estabelecimento do regime das chuvas neste período do ano. Neste trimestre, as áreas de ocorrências de fogo ficam restritas ao leste de Roraima. No restante da América do Sul, as queimas tendem a reduzir, porém ainda podem ocorrer na Venezuela e Colômbia e, com menor intensidade, no Paraguai, Bolívia e Argentina.
Figura 1 - Focos de queimadas detectados em novembro de 2016, pelo satélite AQUA_M-T.
3- Previsão Climática para o Trimestre Janeiro, Fevereiro e Março (JFM)  / 2017
As previsões probabilísticas de precipitação e temperatura do ar para o trimestre JFM/2017 são mostradas na tabela abaixo. A Figura 2 ilustra as áreas com previsão de chuva e as respectivas probabilidades em tercis, considerando três categorias (acima da normal, normal e abaixo da normal climatológica).
Região
Previsão
Figura 2 - Previsão probabilística (em tercis) por consenso do total de chuva no período de janeiro a março de 2017.
Chuva - maior probabilidade dentro da faixa normal climatológica na área que se estende do extremo norte do Amazonas ao norte do Pará. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - normal a acima da faixa normal climatológica.
Chuva - maior probabilidade na categoria abaixo da faixa normal climatológica na área que compreende o leste do PI, CE, RN, centro-oeste dos Estados do RN, PB e PE e extremo norte da BA.
Temperatura - normal a acima da faixa normal climatológica.
Chuva - maior probabilidade na categoria dentro da faixa normal climatológica para o extremo sul do Mato Grosso do Sul. Nas demais áreas, a previsão indica baixa previsibilidade, com igual probabilidade para as três categorias.

Temperatura - normal a acima da faixa normal climatológica.
Chuva - baixa previsibilidade, com igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - dentro da normal climatológica.
Chuva - maior probabilidade na categoria dentro da faixa normal climatológica para toda a Região. Nas demais áreas, a previsão indica igual probabilidade para as três categorias.
Temperatura - dentro da normal climatológica.